15 de agosto de 2010

Encontros, despedidas, comportas abertas...

Pouca gente acredita, mas é verdade. Fazia quase dois anos que eu não conseguia chorar. Chorar em todo o sentido da palavra: ter uma sensação, deixar que ela me invada e me leve às lágrimas. Mas hoje foi diferente.

Bastaram as primeiras notas e palavras de 'Encontros e Despedidas' para que Milton Nascimento arrancasse de mim uma cachoeira de lágrimas ainda na quarta canção de seu show. Eu, surpreso comigo mesmo, e ele sem a menor cerimônioa destrancando a comporta que impedia a água de jorrar.

Por que eu chorei? Foi de saudade. Essa música me faz lembrar demais do meu saudoso amigo Rafael Rodrigues. Se foi um choro contido? Eu juro que até tentei conter. Mas nem consegui. Falhei miseravelmente. E foi melhor assim.

Aí comecei a sentir outras saudades, do tempo em que nós convivíamos diariamente, eu e Rafa e nossos outros amigos. De como éramos felizes, de como a vida era promissora, de como podíamos tudo ainda que preferíssemos uns aos outros, eu, ele e nossos outros amigos.

Então deu uma saudaaaade de mim. Dessas saudades com vários 'a' e voz apertadinha. Saudade da fé que eu tinha nos sentimentos, no choro, na saudade, na dor de amor. Se eu perdi essa fé? Acredito que não. Penso que ela ficou abandonada lá atrás e eu há algum tempo eu voltei para buscá-la.

Mas como acontece com todo mundo que é abandonado, a resistência em acreditar de novo no autor do abandono tem dificultado um pouco as coisas entre nós. E a fé, lá, sentadinha à beira da estrada, se recusa a me dar a mão e a seguir comigo enquanto eu não provar a ela que estou pronto para tê-la novamente ao meu lado.

Mas a gente conversa, uns dias mais, outros menos. Estamos conversando. E eu sei que ela quer voltar andar junto comigo. Aquela fé gostosa no sentimento das pessoas umas pelas outras, das pessoas por mim, de mim por mim. Porque vai ver que, lá no fundo, a despedida que eu jurei que tinha feito da fé no amor, aquele amor romântico, na verdade era uma despedida de mim. Chega de despedidas. A hora pede reencontro. Só me resta insistir.

4 comentários:

Ah... disse...

Lindo. =õ]

Kadydja Albuquerque disse...

Ai, isso mesmo, Fé no Amor sempre. Manda essa fé sair da calçada e trabalhar! E, peloamordedeus, chore sempre. Se não conseguir sozinho, bata o dedão na quina da cama. Funciona.

beijo.

Diário de Impressões disse...

Belo post, Rod. Rafa fez uma participação luminosa nessa vida. Tenho ctz de que faz falta a todos que tiveram o prazer do seu convívio. Quanto à fé no Amor.. sou suspeita para falar.. na verdade, uma romântica incorrigível! Desejo-lhe sorte nessa jornada. E graças a Deus que você me presenteou com esse vídeo! Quase morro por não ter podido ver Milton.. Beijos!

Giuliana Tosi disse...

Eu sempre tento não amar e não chorar. Nunca dá certo! Foi assim agora, com seu texto conversando com meu "eu" estranho.