10 de agosto de 2010

Isso aqui tá virando blog de autoajuda?

Amanhã chegarei à bela marca de 70 sessões de terapia. O que era pra ser uma terapia breve já tá começando a virar algo de médio prazo. Para comemorar esses quase dois anos avaliando a minha vida com o auxílio de uma psicóloga, resolvi listar descobertas, algumas muito óbvias, que fiz ao longo desse período. Sim, porque conhecimento só tem valor quando repassado. Então lá vai:

a) Não adianta esconder algo de si achando que essa coisa ou sentimento vai deixar de existir por isso;

b) É uma furada achar que se apenas você souber daquilo que fez e reprova, não se sentirá mal, afinal, algo só existe quando os outros ficam sabendo. Balela! Tudo - ou praticamente tudo o que a gente faz, inclusive escondido - um dia traz consequências visíveis aos olhos e corações dos outros;

c) Ter mais medo de rejeição do que vontade de ser feliz só impede que você se sinta melhor. Coisa linda esse clichê, hein? Evitar a parte boa para não passar pela parte ruim só torna o todo ruim;

d) O mais difícil, na verdade, não é encontrar alguém, mas suportar sua própria companhia. Seja uma companhia agradável para si mesmo e tudo melhora;

e) É bobagem achar que as pessoas tem a obrigação de descobrir o que está por trás daquilo que você está dizendo. De outra forma, como elas podem merecer o meu carinho, dedicação, amor ou coisa que o valha? Não interessa. A humanidade não tem tempo para suas mensagens subliminares;

f) Sim, é querer demais desejar que as pessoas estejam à sua disposição sempre que você precisar. Fatalmente irá se frustrar a cada segundo por que não é assim que a vida funciona e pronto;

g) Presunção não ajuda, especialmente quando você deixa de se reconhecer como membro da sua família simplesmente por achar que eles não entenderiam o que se passa na sua cabeça;

h) Agredir como forma de evitar carinho? Mas que loucura é essa? De que adianta maltratar alguém pelo medo puro e simples de que essa pessoa possa conhecer suas fragilidades um dia?

Olha, o alfabeto não possui letras suficientes para que eu possa listar tudo e você, provavelmente, não teria a paciência necessária para ler tantas obviedades de A a Z.

Só uma perguntinha: se é tudo tão óbvio assim, porque é tão difícil, hein?

Sobre o tema, leia também: Notas mentais, por @dittacuja

4 comentários:

Paloma disse...

Vou reler algumas vezes para ver se aprendo também!!!

Ah... disse...

Vou dizer novamente: já pode fazer o curso de psicanálise.
=]
Como sempre, muito bom!

lulalui disse...

Estar ciente dos "defeitinhos" e relacioná-los...parte um cumprida. A segunda parte e mais árdua é o levar pra vida...é como um ex drogado... um dia por vez...lágrimas, separações, escolhas suas e as vezes não...esperar...
Feliz com o seu processo... e de A a H... só vejo verdade... conheço uma poka...

Rodrigo Machado disse...

O mais engraçado disso tudo é que após a escrita parece tão óbvio, né? O difícil mesmo é a danada da prática. Mas, se pudesse programar nem seria vida.